sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Medo de Amar e Um Sopro de Ternura – Marcelo Cezar

 

"Nascer, morrer, renascer e progredir sem cessar. Tal é a lei."

Essa última noite sonhei que estava sentada debaixo de uma árvore escrevendo sobre dois livros espiritas que li a algumas semanas. Ambos do mesmo autor, Marcelo Cezar e seu mentor espiritual Marco Aurélio. Não venho aqui querer "pregar" crenças e muito menos fazer com que quem leia esse texto vire espirita ou passe a acreditar em reencarnação, carmas e tudo que envolve o mundo ainda não palpável e definido após a morte.

Mais tirando as crenças de lado, são dois livros que vale a pena sua atenção. Vou tentar de forma não delinear falar sobre as obras e instiga-los um pouco a querer conhecer este mundo, que nem grandes filósofos conseguiram ou conseguem explicar (ainda).

Um Sopro de Ternura retrata a história de Lilian e Clara, irmãs que perderam sua mãe muito cedo e moram com o pai, um oficial da força pública (vulgo policia militar). O pai acaba se envolvendo com Dinorá, uma ex prostituta sem escrúpulos que deve tudo e mais um pouco a um cafetão. Em paralelo temos a história de Valentina, uma figura ilustre da sociedade paulistana na primeira metade do século, amante das artes e que acabou levando seu conhecimento para que a cultura fosse acessível a todos. Foi aqui que o livro prendeu minha atenção. Eles vivem a época do modernismo e personagens como Tarsila de Amaral, Fernando Pessoa , José de Almada Negreiros e outros tantos que conhecemos muito bem, fazem parte da história. Foi uma verdadeira viagem ao tempo, consegui me ver claramente de vestido longo, corpete prendendo meu corpo inteiro, cabelos armados e perfeitos, um livro na mão e batalhando nas ruas para que as artes, os saraus e as ideias feministas fossem ouvidas por todos. Se eu tivesse que ser um pouco mais incisiva na minha crença espiritual, eu diria que fui uma dama do século passado apaixonada por mudanças, assim como nossa personagem principal da trama.

O livro não gira somente em torno desses personagens que citei acima, existem inúmeros, onde conforme as paginas são viradas, fica claro a relação que cada um tem com o outro e os porquês de estarem juntos daquela forma, vivendo aquela vida. Muitas reviravoltas acontecem, como toda boa história. O livro é bem escrito e bem encaixado, onde nenhum nó se desfaz para entendermos como tudo na vida espiritual é explicado e pré definido antes da reencarnação.

Já no "Medo de Amar", temos a história de Maria Lúcia, uma mulher que só pensa em dinheiro e quer se dar bem na vida, a qualquer custo e circunstância. Claro que como qualquer boa narrativa, temos a irmã "do bem", que sofre horrores com os mal tratos da personagem principal e acaba sendo torturada numa época onde a ditadura militar não media esforços para encontrar culpados do próprio erro de uma falta de democracia ética.  Também repleto de personagens, que ao final se encaixam como uma perfeita luva para uma perfeita mão.

Porque eu quis fazer essa resenha com os dois livros? Primeiro que ambos tem uma lição em comum para passar: a batalha para vencer o egoísmo e a ganância, e o aprendizado de que a felicidade é um estado de alma, conquistada dia após dia. E sim, nossos atos geram consequências, podem não gerar na vida terrestre, mais uma hora seremos cobrados a respeito delas. Não tem como fugir, meus caros...

Os cenários de ambos os livros são fascinantes do inicio ao fim: modernismo no "Um Sopro de Ternura" e a ditadura militar no "Medo de Amar". Não tem como não se envolver nas duas histórias e ser transportado para uma realidade que muitos viveram. Realidades assombrosas sim, até indignas, eu diria, porém realidades.

E qual a lição afinal, mesmo para aqueles que não creem na vida após a morte? Bom, se você não crê no nascimento, na morte e no renascimento da alma, eu deixo uma frase para reflexão: "Se acredito na vida após a morte? Não sei nem se acredito na vida antes da morte! Acho que acredito na morte durante a vida". Estaria eu embaixo da tal arvore escrevendo sobre vida após a morte enquanto vivi, morri ou renasci?

Conclusão dessas leituras edificantes: nada é mesmo por acaso!

Então, não vamos ter medo de realizar ações, pois elas trazem consequências, e são através delas que aprendemos aquilo que queremos e não queremos para nossas vidas. E se não for aquilo que queremos, ainda teremos a chance de em outra vida mudar a perspectiva. Então, que a vida seja feita de escolhas: escolha sorrir, chorar, sofrer, cair, levantar, ser ruim, ser bom, ajudar, buscar, e aqui cabem todos os verbos que vocês quiserem, até porque foram vocês que escolheram passar pelo o que estão passando agora.

Estão preparados para entrar nesse mundo doido do auto entendimento?

Aconselho então, a separarem umas horas para entrar no universo dos livros espiritas.

Boa leitura!