segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Tramas que a vida tece – Elizabeth Marra


"O amor nunca morre de morte natural. Ele morre porque não sabemos como renovar a sua fonte. Morre de cegueira, dos erros e das traições. Morre de doença e das feridas, morre de exaustação, das devastações, da falta de brilho." 

Engraçado como a vida capricha na hora de tecer suas tramas. Ler este livro começou com um destes caprichos que gosto de apelidar de "excêntrico".

Sabe aqueles momentos que você conhece pessoas que logo simpatiza, mas por obra do dia a dia acaba não estabelecendo um contato mais forte?

Eis que por ironia do destino, no ano de 2014, fiz uma viagem com o objetivo de resolver uma dúvida de cunho pessoal e nenhuma das pessoas do meu meio mais presente pode me acompanhar. E acreditem, eu precisava de companhia. De repente me vi fazendo um convite a uma destas pessoas que conheci em um momento da vida.

Nasceu desta viagem, a construção de uma amizade fortificante e bonita, e novamente, pega de surpresa pela vida, esta caprichosamente me colocou frente a frente com o ganho que considero mais precioso hoje em dia, a amizade.

Fui angariada pelo presente de poder ler e fazer a resenha deste livro, que pertence a autora Elizabeth Marra, mãe da minha mais nova amizade.

Vamos ao livro: Tramas que a vida tece conta a história de Luiza. Uma psicologa que enfrenta muitos desafios para se tornar bem sucedida e realizar seus sonhos pessoais. Luiza possui uma família unida, composta por dois irmãos: Rui e Raquel.

A trama começa com uma tragédia de já deixar os leitores sem fôlego: Rui é piloto de avião e sofre um acidente que acaba matando sua mulher grávida e o deixando preso a uma cadeira de rodas pelo resto da vida.  Raquel, por sua vez, também tem sua dose de tragédia, conhece o homem de sua vida, porém o mesmo assume a culpa pelo assassinato que sua mãe cometeu a um político envolvido em um escândalo social.

Porém o foco do livro é Luiza. Ela trabalha em um hospital e conhece o também médico Augusto, um homem competitivo, que não mede esforços para conseguir o que quer, e não suporta ouvir a palavra "não" de qualquer tipo de pessoa. Eles acabam se envolvendo e Augusto brinca com os sentimentos de Luiza, fazendo-a se apaixonar e não ser correspondida. O que Augusto não espera, é que Luiza não vai cair em sua armadilha por muito tempo, e o jogo ironicamente se inverte, fazendo com que Augusto faça de tudo (aqui, eu digo, de tudo mesmo) para sair por cima de uma batalha, que na verdade ele mesmo cria dentro de si.

A história surpreendentemente vai sendo contada e os personagens vão se encaixando, de forma a enfatizar, que o capricho da vida é exatamente esse. Qual o motivo de conhecer pessoas? Em determinados momentos achamos que não passam de simples pessoas que de nada vão nos acrescentar na vida, mas que mais pra frente percebemos que elas tinham que estar ali, seja para ser um capítulo a mais e nos ajudar em momentos de aflição, ou simplesmente para no momento certo se tornarem peças fundamentais para contar a nossa história.

O desenrolar da história se dá quando Luiza descobre a paixão reprimida de Jorge, o dono do hospital. Ela fica grávida de Augusto, que por outro lado engana Angélica, uma mulher inocente, porém cega pela paixão acaba colocando a vida de nossos personagens em muito risco.

Não vou aqui acabar com a graça do livro e entregar o final da história, pois como o próprio titulo diz, a vida tece tramas, coloca pedras no caminho, mas o destino é capaz de brincar de formas surpreendentes com a vida das pessoas. E novamente, percebemos que são as pessoas que tecem aquilo que vai nos acontecer de positivo ou negativo na vida.

O título desta resenha traz aquilo que considerei a principal mensagem do livro: o amor não morre de forma natural.

Quando Rui perdeu sua mulher e sua filha ele achou que junto com elas foi para sempre a oportunidade de amar. Quando o amor da vida de Raquel fica preso por tempo indeterminado, ela achou que sua capacidade de amar ficaria presa sem data de expedição. Luiza, Augusto, Jorge e Angélica, lutaram de forma branda e fraca ao mesmo tempo por acharem que não eram dignos do amor.

Porém eu digo, o amor só morre porque não renovamos sua fonte, não cuidamos de nós mesmos, os primeiros coadjuvantes do sentimento. Traímos nossas percepções, deixamos o medo e a insegurança tomarem conta de nossas vidas, e então, aos poucos o amor vai morrendo de exaustação, de falta de coragem.

Mas o engraçado aqui, é que mesmo o ser humano fazendo tudo de forma errônea, a vida sempre nos dá uma chance e coloca bem a nossa frente, aquilo que não somos capazes de enxergar.

Ler este livro, me fez perceber uma coisa: a excentricidade da vida é o que conduz nosso destino.

Parece que recebi um conselho em forma de livro..."Preste atenção a sua volta. Abra seu coração. Permita-se deixar que a única coisa que morra de forma natural é a falta de oxigênio, não a falta de amar, de perdoar os outros e a si mesmo, fazendo com que o amor próprio conduza ao amor ao próximo."

Não poderia terminar esta resenha sem agradecer ao capricho que a vida me deu mais uma vez de forma excêntrica, em colocar em minha vida, mas uma trama que só basta a mim tecer de forma justa.

Obs: O livro não se encontra em livrarias, mas se houver interesse, por favor, falem comigo através do blog.