sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Fritz the Cat – Robert Crumb

Essa postagem não será sobre livros, mas sobre uma forma de literatura que, a não ser que você seja otaku ou fã da marvel, dificilmente terá um certo gosto e conhecimento: quadrinhos.Eis um mercado difícil e fracassado no Brasil, com nossos melhores quadrinhistas frequentemente buscando residência ou publicação em países mais ao norte.
Mas como esse post é uma resenha e não uma avaliação do mercado editorial, Fritz the Cat é uma publicação de forte apelo para uma possível revisão de conceitos sobre se quadrinhos são só Turma da Mônica e pronto.
Ambientadas e escritas nos EUA dos anos 60, as histórias que fazem parte dessa compilação iam, com o perdão do eufemismo, um pouco à contramão dos gibis de super-heróis e das (excelentes) revistas Disney feitas por Carl Barks. Abordando temas razoavelmente desconfortáveis à época, o trapaceiro, egoísta e materialista gato Fritz protagoniza histórias envolvendo e satirizando os idealizados agentes secretos, a esquerda estudantil, a mentalidade hedonista, a vida de escritor, os grupos revolucionários radicais, o pensomento conservador predominante e a figura romântica do vagabundo de estradas. Tudo isso com animais antropomorfizados usando drogas e fazendo sexo explicíto dentro de um quadradinho.
Com temas e personagens inadequados ao grande público, Fritz foi condenado ao mercado underground e assassinado pelo próprio Robert Crumb em 1972, mas não sem ter uma base de fãs o suficiente para que houvesse interesse na realização de um filme, também de 1972, que, embora tenha feito relativo sucesso, Crumb diz ter se arrependido de autorizar.
Enfim,se você ainda tem um certo preconceito com quadrinhos mas é dono/a de um bom humor e tem interesse pelo período histórico da Guerra Fria, a compilação de Fritz the Cat pode se tornar uma surpresa muito agradável. Se você já gosta de quadrinhos e dos assuntos citados, ou conhece a obra de Crumb ou precisa conhecer.