domingo, 28 de setembro de 2014

A Cidade do Sol – Khaled Hosseini, resenha por Évelin Ascari

Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rasheed, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seu destino. Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz - 'Você pode ser tudo o que quiser'. Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Confrontadas pela História, o que parecia impossível acontece - Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a História continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do 'todo humano', somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios.

Essa é a sinopse oficial do livro A Cidade do Sol e eu não tive maneira melhor de começar a escrever se não com ela.

Faz um bom tempo desde que eu o li. Mas até hoje quando me lembro da história todo o sentimento transmitido por ela vem à tona. Falando sobre Mariam e Laila, o autor Khaled Hosseini consegue nos passar uma riqueza de detalhes sobre a vida de centenas de mulheres no Oriente Médio, que tantas vezes convivem com todos os tipos de violência no próprio lar.

Também nos mostra que, muito antes de um casamento arranjado, as meninas podem ter sonhos comuns para nós do Ocidente, como entrar na universidade ou conhecer um outro país.

Um retrato dolorido de como a Guerra afeta a vida das pessoas. Meu coração apertava todas as vezes em que lia que o som de alarme dos ataques aéreos era tocado e as pessoas corriam e se escondiam o máximo que podiam para quem sabe sobreviver.

Quando vejo as notícias sobre o Oriente Médio na TV acho tudo tão cinza e distante, quase como se aquilo não fosse real, e ao ler tive a mesma impressão de ser só uma ficção, talvez por não querer acreditar em tanta crueldade.

Apesar de toda a angústia, é um livro que vale à pena. Não deixe de ler se tiver a oportunidade porque o enredo vai te surpreender. Com certeza vai mexer com você, vai mudar a maneira como você enxerga a própria vida e espero eu, a maneira como enxerga a vida e o sofrimento do próximo, estando ele perto ou do outro lado do mundo.