domingo, 24 de março de 2013

Casa de Bonecas - Henrik Ibsen

    Bora de literatura norueguesa? Não conhece nada, duvido, no pior dos casos você deve ter escutado algo sobre “O Mundo de Sofia”, mas essa resenha não é sobre este livro, mas sim sobre um livro bem mais antigo, escrito na segunda metade do século XIX, mesma época de Anna Karenina(Liev Tolstói) e Madame Bovary (Gustave Flaubert), que foram lembradas durante a leitura deste livro, pois elas têm perfis parecidos.
    “Casa de Bonecas” é uma peça teatral, em três atos, que retrata a hipocrisia e convenções sociais da época, durante a encenação há insinuação de adultério por parte de Nora (personagem principal) com Rank (melhor amigo do marido de Nora), mas em seguida isto é negado; há um envolvimento de Nora com outro personagem(Krogstad, o qual é mal visto pela sociedade por conta de um ato ilícito) que põe o casamento da mesma em risco e a trama gira em torno desse envolvimento. E enquanto ela tenta esconder este segredo do marido (Helmer), a gente vê como é a relação entre os dois e a tomada de consciência, que ela tem, sobre a própria condição, ao perceber que ela sempre viveu para agradar, primeiro ao pai e depois ao marido e aos filhos.
    Isto acontece com a ajuda de Kristina (amiga de infância de Nora), que abriu mão de tudo em nome de outros (família, marido...) e ficou sozinha, tendo de aprender a viver só e a se manter sem ajuda. Mas quando Nora toma consciência de seu papel na vida do marido, assim como foi na do pai, ela decide se afastar de todos e tentar, realmente se emancipar e descobrir-se. 
    Pois ela é totalmente alienada em relação à vida, aceitando tudo que lhe é dito/imposto, sendo protegida como se fosse de cristal, vivendo em uma casa de bonecas. Mas o momento em que ela se dá conta da vida que leva somente ocorre quando seu segredo é revelado, então ela vê que seu casamento é vazio e seu marido não lhe tem amor, nem gratidão por ter salvo sua vida.
    Então ela percebe que suas expectativas e sonhos em relação a seu casamento são ilusões e que de real somente há as atitudes egoístas do marido e as imperfeições de uma relação (superficial), restando a ela aprender com a vida assim como fez Kristina.
    Ah! Mas porque ela me lembrou Anna Karenina e Madame Bovary? Porque são mulheres que são tratadas, por seus maridos, como bonecas e seus erros são considerados inaceitáveis perante a sociedade, estas tem um triste final, mas Nora, apesar de inicialmente ser tratada da mesma forma que Anna e Madame Bovary, não tem um fim trágico, ela simplesmente toma as rédeas de sua vida, mesmo que isso magoe os filhos e o marido, pois é isso que ela deve fazer antes de ser mãe e esposa.