sexta-feira, 3 de outubro de 2014

É Agora ou Nunca – Marian Keyes

 

"Mesmo quando estou feliz, a tristeza fica apenas a um segundo de distância."

 Uma vez assisti a um filme que a protagonista escuta de um velho rabugento caindo aos pedaços que "Somos aquilo que sentimos". Essa frase nunca mais saiu da minha cabeça, e me trouxe a reflexões sobre o que eu deveria emanar para o universo para encontrar o espaço do meu verdadeiro eu nesse mundo tão vasto.
 O livro que farei a resenha, me trouxe de volta a mesma reflexão a respeito dessa frase. Em "É agora ou nunca", temos a história de 3 personagens (Katherine, Tara e Fintan). Para falar dos 3 e associa-los a meu raciocínio, preciso situa-los do porque ser o que sentimos é tão importante para embasar aquilo que julgamos ser a felicidade para nós.
 Vamos primeiramente aos personagens:
 Katherine não concorda em viver a vida presa a um relacionamento, ela definitivamente não acredita no amor. Claro que ela não nasceu não querendo amar, até onde eu entendo, isso não existe. Ela sofreu uma bela decepção e teve o coração tão partido que "sentiu" que nunca mais deveria abri-lo para mais ninguém. Sua vida se resume a trabalhar, trabalhar e trabalhar e ah, assistir tv a cabo. Já Tara é o oposto, ela "sente" que sua vida só será completa se, se casar antes dos 30 anos. Fintan entra como um homossexual que "sente" a vida de forma intensa e não está nem aí para o que os outros pensam "Qual o mal de sair de casa vestindo rosa e amarelo?".
 Os 3 são muito amigos desde a adolescência e cresceram como qualquer jovem, fazendo planos e vislumbrando uma vida, que vamos combinar, só existe dentro da nossa cabeça. Claro que milhões de coisas acontecem que culminam nas consequências que vimos acima na descrição de suas personalidades.
 O livro é muito bem narrado e se apega bastante as características de cada personagem, e você acaba literalmente conseguindo ver em cada um deles um pouco de si. Quem nunca quis sair de casa vestindo polainas, de chapéu na cabeça e chinelo nos dedos? Quem nunca acordou um belo dia e não quis sair do sofá pensando "Mais fácil mudar de canal do que perder meu tempo convidando um cara para sair" ou "Meu Deus, estou velha. Será que meus ovários estão desgastados? Alguém vai me querer mesmo assim?"
 Mesmo não estando feliz com a situação que vivem, os 3 acabam se acomodando e aceitando forçadamente o dia a dia, estampando um sorriso no rosto e a reação normal de qualquer conformista "Eu estou bem assim". Até que o destino prega uma peça, subindo ao palco sem pedir licença, e trazendo junto com essa reviravolta um verdadeiro choque de realidade.
 Eis que Katherine conhece um cara que mexe completamente com seu sétimo sentido (se houvesse um, com certeza mexeria), Tara percebe que aceitar qualquer um para viver ao seu lado não vai lhe fazer feliz, mesmo que isso não aconteça antes dos 30 anos, e Fintan, bom, ele é arrebatado por um câncer que coloca toda sua auto estima em pauta, fazendo-o refletir se a vida é mesmo para ser vivida de forma tão em devaneios.
 Não vou contar se Katherine se casa, se Tara vai viver a vida e se Fintan se cura do câncer. Leia e se delicie com os dilemas criados por ambos, e o que eles fazem com as oportunidades que a vida lhes deu.
 É aqui que volto a reflexão inicial...se somos aquilo que sentimos, então porque a vida mandou uma doença a Fintan? Porque Katherine conhece um cara surpreendente mesmo não querendo nada disso em sua vida? Porque Tara percebe dentro de si que precisa se amar e fazer o que gosta invés de ficar procurando um marido? Eu respondo...
 Porque no fundo não admitimos para nós mesmos as nossas grandes vontades, a liberdade de se assumir verdadeiramente. Já dizia Lao-Tsé que "A libertação do desejo conduz a paz interior".
 Se estamos em paz com nossas decisões de como levar a vida, porque sempre tem um vazio que insisti em predominar? O medo de enfrentar os traumas, a pressão da sociedade em julgar nossas atitudes?
 É assim que percebi nos personagens que a auto afirmação que eles fazem de si próprios é a mentira mais escancarada que eles fazem deles mesmos. Não é se olhar no espelho, é colocar o espelho dentro de você.
 A partir do momento que colocamos esse reflexo de nós mesmos para dentro, a parte de fora se encarrega de enviar "provas" para ver se realmente entendemos o recado.
 Quem nunca teve essas provas a sua frente e ao invés de senti-las, deixou pra lá, insistindo que "não é o que quero".
 Deixo aqui um conselho, que me serviu de lição ao ler esse livro tão espirituoso: Permita-se, por que se não, a vida vai permitir por você!
Boa leitura!