quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A Verdadeira Vida de Sebastian Knight – Vladimir Nabokov

   Esse é o primeiro livro escrito por Nabokov em inglês, e é o primeiro livro que eu compro da Alfaguara – alguém tem que me explicar como se pronuncia isso! – e gostaria de começar a resenha falando do “exterior” do livro e de como e porque eu o comprei.
Foi uma compra de impulso, eu entrei em um site de compras e por acaso tinha uma promoção de livros, como sempre, olhei o catalogo inteiro, e chegando ao fim dos cento e poucos livros, comecei a ver alguns títulos da Alfaguara, muitos de autores que eu não conhecia, e esse, que era de um autor que eu conhecia – eu já li, pelo menos, Lolita do Nabokov – e que tinha uma capa incrível – podem me julgar, eu compro livros por causa capa também –, “tiro e queda”, comprei o bendito depois de ler a sua sinopse, e esse trecho de uma entrevista feita com Nabokov, pela Vogue americana em 1969, que me inspirou a conhecer melhor esse escritor:
   "Se eu acho que um escritor deve dar entrevistas? Por que não? É claro que no sentido restrito, um poeta, um romancista, não é exatamente uma celebridade (...) Não posso simpatizar por alguém que tenha mais interesse em me conhecer do que aos meus livros. Como um espécime humano, não apresento nenhuma característica fascinante. Meus hábitos são simples, meus gostos são banais.(...)Eu realmente não acredito que falar de mim ajuda a vender meus livros. O que realmente me agrada em falar para o público é a oportunidade que isso me dá de construir a imagem do que eu espero ser uma personalidade plausível e não completamente desagradável."
   Pois bem, esse grande e polêmico escritor, um senhor muito normal, que conseguia tecer tramas incríveis, tinha um ponto de vista muito particular sobre si mesmo. Foi assim que um trecho de entrevista, a curiosidade sobre uma nova editora, e um “capinha bonita” me levaram a comprar e ler, um  dos melhores livros que já passaram pelas minhas mãos.
   A Verdadeira Vida de Sebastian Knight é, na realidade, uma biografia de um personagem fictício: um escritor brilhante, que morreu, e tem a sua vida e memória “compurscadas” por um falastrão, e que possui um irmão que esta disposto a redimir os inconvenientes gerados pelo tal falastrão. Ou pelo menos deveria ser assim, existem controvérsias, alguns dizem que é uma paródia – e talvez seja, e eu não tive sensibilidade para perceber isso.
   O fato é que esse livro soou parecido com outro, me lembrou muito o “Piloto de Guerra” do Antoine Saint-Exupéry, sabe? Aquele jeito saudoso de lembrar de algo que não existe mais, mas que mesmo assim parece tão vivo e próximo, acho que se Nabokov e Exupéry se encontrassem para falar de uma passado em comum – que deveria ser in-comum (“in” de não),  eu não achei registros que dizem que os dois chegaram a se conhecer – toda a conversa deveria ser registrada, e transformada em livro, eu compraria, seria como ler sobre o movimento das folhas das arvores com o vento de um dia de agosto: quente, ensolarado, e perturbador – parei com isso, parei de sonhar e de divagar...
   Durante o livro o irmão passa a conhecer melhor Sebastian – em momento algum aparece o nome do irmão do escritor – e também a si mesmo, e acho que existe todo um dialogo saudável entre nós, os leitores, e o irmão de Sebastian: ele nos explica, nos confidencia, e nos questiona sobre tudo, e também sobre nós mesmos, é realmente incrível como me senti próxima e confortável com todo o livro.
   Em fim, às vezes distante, às vezes próximo, quem é Sebastian Knight? Um homem, um ideal, o próprio irmão, ou nós, os leitores?  A verdade é que Nabokov mais uma vez me proporcionou uma leitura agradável, com uma estória verdadeiramente interessante, e com personagens que parecem tão reais, tão palpáveis e plausíveis que chega ser frustrante nenhum deles nunca ter existido.