sábado, 17 de outubro de 2015

Os Mil Outonos de Jacob de Zoet – David Mitchell

Passando-se praticamente todo na ilha de Java, exatamente em Jacarta – em um período que vai de 1799 até... uns 40 e poucos anos depois – Os Mil Outonos de Jacob de Zoet é um livro com uma narração impecável – com alguns erros de revisão como o 1790 que virou 1970 – e com uma estória que contou com uma boa pesquisa e enredo.

Jacob é um rapaz não muito abastado que se vê forçado a “perder” alguns dos seus melhores anos trabalhando para a Companhia Holandesa das índias Orientais, para assim poder ser digno de uma jovem chamada Anna, que tem um pai bem exigente financeiramente. Claro que tudo isso parece meio simples, mas o livro não se limita a isso, e além de acompanhar Jacob por um período curtíssimo em que acontecem muitas coisas – falou a rainha do marasmo – ele também fala muito sobre a cultura, desde a estrutura de poder vigente em Batávia – que era o nome de Jacarta na época – até algumas crenças de lá – to aqui me segurando para não dar spoiler, porque sinceramente essa parte me surpreendeu muito, eu não esperava uma guinada tão drástica em um livro que sinalizava ser mais tranquilo – além de tratar também de detalhes não tão românticos da vida dos marinheiros e comerciantes daquela época – de doenças a prostíbulos, passando pela “mesa” de cirurgia do Dr. Marinus em plenos procedimentos.

Tirando Jacob, que é claro, monopoliza o foco do livro, também temos alguns personagens fascinantes como o Dr. Marinus e Orito, que são estudiosos em uma época em que a busca de conhecimento não era tão bem vista – principalmente no caso de Orito, que era uma mulher – Enomoto – que dispensa explicação em função dos spoilers – entre outros.

Desculpem-me, mas é muito difícil falar desse livro sem ficar a beira de soltar um detalhe, e são muitos detalhes, além de contar com uma narrativa limpa e muito bem feita o livro também trás elementos inesperados, e complicações que eu nunca poderia esperar.