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sábado, 31 de outubro de 2015

A Arvore do Halloween – Ray Bradbury

De um dos mestres da ficção Ray Bradbury, A Arvore do Halloween é um relato interessante, inteligente e delicado de uma noite e tanto de um grupo de amigos.

Pipkin é um adorado colega e amigo de um grupo de nove amigos: garotos de uma pequena cidade norte-americana; que acaba sendo sequestrado magicamente na data mais esperada e assustadora do ano, o Halloween, é claro que seus amigos não poderiam abandona-lo, e para resgatar o bom Pipkin, eles contam com a ajuda do misterioso senhor Montarlha. Apesar de ser uma estória curta e de “roteiro” simples, A Arvore do Halloween na verdade é um livro com uma boa dose de pesquisa, profundidade e história, Bradbury não só nos mostra a saga em procurar Pipkin por uma série de datas e lugares ligados ao Halloween, mas também nos mostra como a cultura de hoje veio se adaptando a partir de comemorações muito antigas, e nos faz refletir sobre a “extinção” de costumes e crenças, será mesmo que as comemorações de hoje são tão isentas das culturas que elas substituíram? Na verdade eu acho que o ponto alto do livro são exatamente as histórias que estão por trás do Halloween moderno e como com o passar to tempo uma cultura foi “substituindo” a outras, outra reflexão importante que o livro faz sobre o Haloween de hoje, é como ele se transformou – pelo menos nos Estados Unidos e outros países do hemisfério norte, principalmente – uma data de comemoração, deixando de ser tão assustadora ou triste como no Samhain.

Esse livro é bem curtinho, mas muito bom, eu adorei a estória, e achei o modo como foi contada muito simpático, inclusive ele pode ser lido tanto por jovens e crianças até adultos, acho difícil alguém não se sentir preso e interessado por uma das datas mais especiais e famosas do mundo.

sábado, 17 de outubro de 2015

Os Mil Outonos de Jacob de Zoet – David Mitchell

Passando-se praticamente todo na ilha de Java, exatamente em Jacarta – em um período que vai de 1799 até... uns 40 e poucos anos depois – Os Mil Outonos de Jacob de Zoet é um livro com uma narração impecável – com alguns erros de revisão como o 1790 que virou 1970 – e com uma estória que contou com uma boa pesquisa e enredo.

Jacob é um rapaz não muito abastado que se vê forçado a “perder” alguns dos seus melhores anos trabalhando para a Companhia Holandesa das índias Orientais, para assim poder ser digno de uma jovem chamada Anna, que tem um pai bem exigente financeiramente. Claro que tudo isso parece meio simples, mas o livro não se limita a isso, e além de acompanhar Jacob por um período curtíssimo em que acontecem muitas coisas – falou a rainha do marasmo – ele também fala muito sobre a cultura, desde a estrutura de poder vigente em Batávia – que era o nome de Jacarta na época – até algumas crenças de lá – to aqui me segurando para não dar spoiler, porque sinceramente essa parte me surpreendeu muito, eu não esperava uma guinada tão drástica em um livro que sinalizava ser mais tranquilo – além de tratar também de detalhes não tão românticos da vida dos marinheiros e comerciantes daquela época – de doenças a prostíbulos, passando pela “mesa” de cirurgia do Dr. Marinus em plenos procedimentos.

Tirando Jacob, que é claro, monopoliza o foco do livro, também temos alguns personagens fascinantes como o Dr. Marinus e Orito, que são estudiosos em uma época em que a busca de conhecimento não era tão bem vista – principalmente no caso de Orito, que era uma mulher – Enomoto – que dispensa explicação em função dos spoilers – entre outros.

Desculpem-me, mas é muito difícil falar desse livro sem ficar a beira de soltar um detalhe, e são muitos detalhes, além de contar com uma narrativa limpa e muito bem feita o livro também trás elementos inesperados, e complicações que eu nunca poderia esperar.