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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Incrível – Sara Benincasa

Mais umas das apostas da Editora Única, Incrível de Sara Benincasa vai agradar e muito fãs de outras séries já conhecidas e resenhadas por aqui, como Gossip Girl e Pretty Little Liars.

Naomi é uma garota comum, com pais separados, que vive em Chicago – com o pai, um professor de educação física do colégio em que ela estuda – e passa seus dias de férias de verão em East Hampton com sua mamãe abastada – dona de um império de bolinhos e gostosuras –, apesar de passar seus dias de férias no lugar que tem mais riquinhos por metro quadrado, ela não consegue se enturmar muito, até Jacinta Trimalchio entrar em sua vida. Mas vamos lá, o livro tem como umas de suas principais premissas ser baseado na obra O Grande Gatsby de Francis Scott Fitzgerald, e na verdade Incrível é EXATAMENTE esse tal livro do Fitzgerald, e por inteiro, eu sou uma leitora antiga e meio babona por Fitzgerald então eu já li alguns de seus livros e entre eles está O Grande Gatsby, e o que Benincasa fez foi colocar uma roupagem um pouco mais atual, alguns  personagens extras – personagens basicamente complementares à narradora da estória, que é Naomi – e desenvolver a estória com algumas coisinhas paralelas, então se você já leu o livro de Fitzgerald você já sabe tudo que vai acontecer, senão talvez Incrível seja a oportunidade de se entrar em contato com uma obra tão expressiva indiretamente e se interessar pelo original – vamos combinar que um livro que foi indicado como uns dos 100 melhores de todos os tempos pela Newsweek tem muito mais do que uma estorinha de amor.

Apesar desse detalhe sobre a estória ser bem, muito, incrivelmente baseada no Grande Gatsby, é um livro divertido e bem teen, acho que adeptos da literatura YA vão dar uma piradinha nele, como eu já disse ele segue o mesmo estilo de Gossip Girl e Pretty Little Liars. Só espero que em um futuro próximo Benincasa nos mostre uma estória sua, totalmente sua.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A Batalha das Rainhas – Jean Plaidy (A Saga dos Plantagenetas – Vol. V)

Um pouco menos centralizado, justamente por tratar de um conflito entre duas rainhas, de duas coroas diferentes – Isabella de Angoulême rainha-mãe da Inglaterra, e Blanche de Castella rainha-mãe da França – A Batalha das Rainhas tornou o contexto histórico muito mais amplo e interessante, porém se tornou um pouco confuso, o livro foi intercalando capítulos entre fatos que ocorriam na França e na Inglaterra, mas às vezes dava a impressão de as “épocas” não se corresponderem muito bem.

É chegada a hora de apresentar as antagonistas desta batalha história: Isabella de Angoulême já foi uma personagem importante no livro anterior, O Príncipe das Trevas, viúva de João Sem Terra, Isabella permaneceu no país até um pouco depois da coroação de seu jovem filho, Henrique III, porém após ver que na Inglaterra não seria de tão grande importância quanto queria – pois logo Guilherme Marechal e Hubert de Burgh assumiram a frente do país, enquanto Henrique ainda não atingia idade e maturidade o suficientes para assumir o controle da Inglaterra – logo deu um jeito de voltar para perto de sua terra natal, Angoulême, com o pretexto de levar sua filha, Joana, para se casar com seu antigo amor, Hugo de Lusignan, nem precisamos dizer que nada costuma sair como o planejado quando se envolve Isabella. Do outro lado do embate esta Blanche de Castella, neta de Henrique II e Eleanor da Aquitânia – por isso houve a tentativa de tomar a Inglaterra no volume anterior: Blanche, casada com Luís VIII, príncipe da França, por ser neta do casal real também teria direito ao trono – foi escolhida em detrimento de sua irmã, por Eleonor da Aquitânia, para ser esposa do filho de Filipe Augusto, rei da França e amigo de Ricardo Coração de Leão; após um período tranquilo, Blanche se vê em uma situação parecida com a de Isabella, porém com uma vantagem: ela sim seria regente da França, e cuidaria para que seu filho, Luís IX assumisse quando fosse o tempo certo.

Parece extremamente confuso – e realmente é – mas cada um dos acontecimentos fazem com que além de serem inimigas naturais – a rainha da Inglaterra e a da França – Blanche e Isabella se tornem ferrenhas adversárias no jogo de poder. Isabella sempre a mulher de beleza excepcional não deixa barato o fato de ter que se curvar para Blanche, e Blanche como a rainha exemplar que desempenhou seu papel como uma verdadeira neta de Eleonor da Aquitânia não poderia deixar essa “insubordinação” barata.

Senti um pouco a confusão no “compasso” da estória, às vezes uma parte dela parecia estar muito a frente da outra, porém após tudo entrar em um ritmo mais tranquilo e períodos mais curtos, as peças se encaixaram melhor. O livro foi uma “guinada” na série em relação ao anterior, ele é muito mais dinâmico, e é realmente possível ver a importância dos acordos e casamentos no contexto geral da trama. Apesar de exigir um pouco mais de atenção, A Batalha das Rainhas , é um livro que assim como O Prelúdio de Sangue e O Crepúsculo da Águia, assume um ritmo acelerado, e tão intrigante quanto eles.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Flash Boys, Revolta em Wall Street – Michael Lewis

Revelando um pouco mais do que nós, leigos, sabemos do bilionário mundo das bolsas de valores de Nova York e sobre o mercado de ações, Michael Lewis trás um texto inteligente, divertido e muitas vezes até educativo.

Tudo começa á alguns anos atrás quando ocorreu o escândalo dos empréstimos não tão sólidos que eram comercializados em grande escala nas bolsas de NY, e que acarretou naquele “lindo” episódio de crise da qual, até hoje, tentamos nos recuperar. A partir daquele momento as coisas começaram a ficar estranhas quando o único homem que foi preso após aquele período, foi um simples programador do Goldman Sachs, que foi acusado de roubar códigos do sistema do banco. Esse episódio, um tanto exótico, fez com que Lewis se perguntasse quem era esse programador, e por que esses tais programadores eram os novos “astros do rock” do mercado de ações. Não precisamos dizer que essa história é apenas a ponta do iceberg, de uma corrida tecnologia por milissegundos, passando pela criação dos Dark Pools e novas bolsas, chegando até aos Operadores de Alta Frequência, Lewis nos mostra que hoje em dia os estereótipos que formamos dos mandachuvas do mercado de ações não correspondem a realidade.

Eu achei extremamente chocante o fato das agências reguladoras deixarem brechas em seus regulamentos, brechas essas que são obvias e amplamente exploradas. A explanação sobre o funcionamento de alguns dos mecanismos foi bem feita, é claro que Lewis não se preocupou em fazer um manual ou um glossário – o glossário, na minha opinião, seria uma perda de tempo – porém não existem termos de “sete cabeças” ou ininteligíveis, uma rápida busca de alguma definição menos óbvia poderia sanar as duvidas facilmente, por isso acho que apesar de algumas criticas negativas em relação a Flash Boys, por ele não ser de fácil acesso ao “grande publico”, bem infundadas.

Mesmo sendo um livro com um assunto um pouco mais sério, é impossível não dar risadas com alguns trechos, como por exemplo, a nota de rodapé da pagina 146, e o dialogo da pagina 189. Excelente leitura para quem gosta de ler sobre esses assuntos mais... diferentes da temática dos livros mais vendidos, Flash Boys não me decepcionou, e ainda me surpreendeu por ser um livro – mais complicadinho –  que li com a maior atenção e prazer.