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quinta-feira, 2 de abril de 2015

A Batalha das Rainhas – Jean Plaidy (A Saga dos Plantagenetas – Vol. V)

Um pouco menos centralizado, justamente por tratar de um conflito entre duas rainhas, de duas coroas diferentes – Isabella de Angoulême rainha-mãe da Inglaterra, e Blanche de Castella rainha-mãe da França – A Batalha das Rainhas tornou o contexto histórico muito mais amplo e interessante, porém se tornou um pouco confuso, o livro foi intercalando capítulos entre fatos que ocorriam na França e na Inglaterra, mas às vezes dava a impressão de as “épocas” não se corresponderem muito bem.

É chegada a hora de apresentar as antagonistas desta batalha história: Isabella de Angoulême já foi uma personagem importante no livro anterior, O Príncipe das Trevas, viúva de João Sem Terra, Isabella permaneceu no país até um pouco depois da coroação de seu jovem filho, Henrique III, porém após ver que na Inglaterra não seria de tão grande importância quanto queria – pois logo Guilherme Marechal e Hubert de Burgh assumiram a frente do país, enquanto Henrique ainda não atingia idade e maturidade o suficientes para assumir o controle da Inglaterra – logo deu um jeito de voltar para perto de sua terra natal, Angoulême, com o pretexto de levar sua filha, Joana, para se casar com seu antigo amor, Hugo de Lusignan, nem precisamos dizer que nada costuma sair como o planejado quando se envolve Isabella. Do outro lado do embate esta Blanche de Castella, neta de Henrique II e Eleanor da Aquitânia – por isso houve a tentativa de tomar a Inglaterra no volume anterior: Blanche, casada com Luís VIII, príncipe da França, por ser neta do casal real também teria direito ao trono – foi escolhida em detrimento de sua irmã, por Eleonor da Aquitânia, para ser esposa do filho de Filipe Augusto, rei da França e amigo de Ricardo Coração de Leão; após um período tranquilo, Blanche se vê em uma situação parecida com a de Isabella, porém com uma vantagem: ela sim seria regente da França, e cuidaria para que seu filho, Luís IX assumisse quando fosse o tempo certo.

Parece extremamente confuso – e realmente é – mas cada um dos acontecimentos fazem com que além de serem inimigas naturais – a rainha da Inglaterra e a da França – Blanche e Isabella se tornem ferrenhas adversárias no jogo de poder. Isabella sempre a mulher de beleza excepcional não deixa barato o fato de ter que se curvar para Blanche, e Blanche como a rainha exemplar que desempenhou seu papel como uma verdadeira neta de Eleonor da Aquitânia não poderia deixar essa “insubordinação” barata.

Senti um pouco a confusão no “compasso” da estória, às vezes uma parte dela parecia estar muito a frente da outra, porém após tudo entrar em um ritmo mais tranquilo e períodos mais curtos, as peças se encaixaram melhor. O livro foi uma “guinada” na série em relação ao anterior, ele é muito mais dinâmico, e é realmente possível ver a importância dos acordos e casamentos no contexto geral da trama. Apesar de exigir um pouco mais de atenção, A Batalha das Rainhas , é um livro que assim como O Prelúdio de Sangue e O Crepúsculo da Águia, assume um ritmo acelerado, e tão intrigante quanto eles.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Flash Boys, Revolta em Wall Street – Michael Lewis

Revelando um pouco mais do que nós, leigos, sabemos do bilionário mundo das bolsas de valores de Nova York e sobre o mercado de ações, Michael Lewis trás um texto inteligente, divertido e muitas vezes até educativo.

Tudo começa á alguns anos atrás quando ocorreu o escândalo dos empréstimos não tão sólidos que eram comercializados em grande escala nas bolsas de NY, e que acarretou naquele “lindo” episódio de crise da qual, até hoje, tentamos nos recuperar. A partir daquele momento as coisas começaram a ficar estranhas quando o único homem que foi preso após aquele período, foi um simples programador do Goldman Sachs, que foi acusado de roubar códigos do sistema do banco. Esse episódio, um tanto exótico, fez com que Lewis se perguntasse quem era esse programador, e por que esses tais programadores eram os novos “astros do rock” do mercado de ações. Não precisamos dizer que essa história é apenas a ponta do iceberg, de uma corrida tecnologia por milissegundos, passando pela criação dos Dark Pools e novas bolsas, chegando até aos Operadores de Alta Frequência, Lewis nos mostra que hoje em dia os estereótipos que formamos dos mandachuvas do mercado de ações não correspondem a realidade.

Eu achei extremamente chocante o fato das agências reguladoras deixarem brechas em seus regulamentos, brechas essas que são obvias e amplamente exploradas. A explanação sobre o funcionamento de alguns dos mecanismos foi bem feita, é claro que Lewis não se preocupou em fazer um manual ou um glossário – o glossário, na minha opinião, seria uma perda de tempo – porém não existem termos de “sete cabeças” ou ininteligíveis, uma rápida busca de alguma definição menos óbvia poderia sanar as duvidas facilmente, por isso acho que apesar de algumas criticas negativas em relação a Flash Boys, por ele não ser de fácil acesso ao “grande publico”, bem infundadas.

Mesmo sendo um livro com um assunto um pouco mais sério, é impossível não dar risadas com alguns trechos, como por exemplo, a nota de rodapé da pagina 146, e o dialogo da pagina 189. Excelente leitura para quem gosta de ler sobre esses assuntos mais... diferentes da temática dos livros mais vendidos, Flash Boys não me decepcionou, e ainda me surpreendeu por ser um livro – mais complicadinho –  que li com a maior atenção e prazer.

domingo, 30 de novembro de 2014

O Olho do Mundo – Robert Jordan (A Roda do Tempo – Livro 1)

Primeiro volume de uma das sagas mais famosas, importantes e longas – 14 livros, cada um mais grosso que o outro – O Olho do Mundo do já falecido Robert Jordan, trás uma grande estória, com uma boa base “mitológica” e personagens interessantes, divertidos e em muitos aspectos, misteriosos.

Rand, Perry e Mat são três jovens de Dois Rios, uma aldeia distante das agitações do reino de Andor, que nem imaginam no que vão se meter quando uma misteriosa Aes Sedai chega a sua vila. Pois bem, a minha intenção não é te encher de spoilers caro leitor – tragédias acontecem por causa de spoilers, por isso de agora em diante só liberarei detalhes de sagas e séries em volumes mais avançados e tals – mas o fato é que apesar de o ritmo da estória ser mais lento durante o inicio do livro – eu já tinha tentado ler O Olho do Mundo em outra ocasião, mas desisti antes da centésima pagina – ele é um livro e tanto. Para inicio de conversa a “mitologia” básica por traz da estrutura do mundo de WOT é simplesmente de deixar qualquer leitor sem fôlego – olha, eu conheço um pouco da mitologia por traz do mundo de Tolkien e acho que a de Jordan não fica devendo em profundidade e riqueza –, já nas primeiras paginas sentimos que será uma grande saga, e que ela cobrira assuntos dos mais diversos e interessantes, achei muito “caprichada” a simbologia adotada durante o livro e na mitologia, eu acho que os símbolos – como o da capa – condizem tanto com a filosofia do universo WOT tanto com o que eu já conheço de símbolos – achei que algumas coisas ele baseou em mitologia nórdica, e talvez na céltica – o que nos da um certa segurança de termos em mão um livro que foi feito com certa pesquisa e cuidado.

Caprichos e mitologias a parte, O Olho do Mundo é um livro que te prende em vários aspectos, os personagens são extremamente simpáticos e cativantes, é fácil nos colocarmos em seus lugares, até dos mais durões. E meu amigo que vilão é esse? Quero dizer que tive pesadelos com esse cara! Ele não faz o tipo “estou a toda hora”, mas sim “estou em todo o lugar”, é meio assustador lidar com um inimigo atemporal que você mal sabe quem é, muita Luz e sorte para todos que entrarem em seu caminho!

E que a Luz esteja com todos vocês durante a leitura!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Orgulho e Preconceito – Jane Austen

<3
Existem livros que você pega, e tem livros que pegam você... para todo sempre... Orgulho e Preconceito é um deles.
Jane Austen foi a minha primeira (e ainda é a mais amada) escritora clássica, e Orgulho e Preconceito foi o meu primeiro (e ainda é o mais amado) livro fora do universo juvenil.

E não poderia ter sido uma escolha melhor!

Se você vive em outro planeta, Orgulho e Preconceito conta a história da família Bennet com suas 5 filhas (e nenhum filho) e como isso acarretará no futuro das meninas. Segundo a mãe descontrolada este é um grande problema que deve ser tratado com um belo casamento de pelo menos uma das meninas, o pai omisso apenas observa a zoeira...
Mas dentre essa casa desnorteada temos Jane, a filha mais bela e Lizzy, a mais sensacional protagonista da história! As duas são as irmãs mais velhas e centro da história... Enquanto Jane busca um amor verdadeiro, Lizzy quer apenas paz no seu mundo.
Até que um dia chegam Mr Bingley e Mr Darcy, e a vida das duas muda. A desilusão em busca do verdadeiro amor centrado em Bingley e Jane e o orgulho de Lizzy e o preconceito de Darcy são os pontos chave na história, que convenhamos, é uma crítica sensacional a sociedade da época.


O final, bom, o final não é importante quando a história é muito mais do que somente um "e viveram felizes para sempre"...


E se você acha que Orgulho e Preconceito é um livro de gente velha, lembra de qual era o nome do personagem principal desse filme aqui?