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sábado, 26 de julho de 2014

O Mapa do Tempo – Félix J. Palma


Livro publicado em 2010 pela Intrínseca, O Mapa do Tempo, conta pelo menos 3 estórias que acontecem mais ou menos simultaneamente – exceto a ultima que ocorre depois das duas primeiras.

Andrew Harrington é um jovem rico e infeliz, que procura o suicídio após o trágico esquartejamento de sua amada pelo lendário Jack o Estripador, mas que se envolve em uma louca estória com viagens temporais para tentar salvá-la antes que tudo ocorresse. Já Claire Haaggerty é uma abastada mocinha que não vê graça na época em que foi fadada a viver, e vê na empresa Viagens Temporais Murray a oportunidade de viver no longínquo ano de 2000 – o romance se passa praticamente todo em 1896 – ela só não imaginava que, de cara, ia viver um romance com o famoso e corajoso capitão Derek Shackleton. Por trás dessas duas estórias o nosso amado H.G. Wells, claro, o nosso herói com aspecto de passarinho, que esta presente em todas as 3 estória, inclusive, na terceira e ultima, ele é o “protagonista”. E como um escritor pode ser o herói da estória? Quando Wells se vê envolvido em um grande estratagema temporal para roubar sua obra – mais especificamente o livro, O Homem Invisível – e a de seus colegas de profissão, Bram Stoker e Henry James – o Drácula e o A Outra Volta do Parafuso – ele vai ter que mostrar seu lado mais racional e inteligente, para concertar todos os desvios temporais, e também – por que não? – seu lado mais humano, não só na ultima estória, como nas outras duas.

Não posso falar que foi uma leitura rápida e fluida, eu começava a ler, parava, e não sentia aquela necessidade de saber o fim da estória, foi uma leitura mais lenta, apesar disso, não consegui identificar o porquê, o estilo de escrita não me desagradou, a estória não é desagradável, só não foi tão boa quanto eu esperava, a experiência como um todo.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Tudo que é sólido pode derreter

Estranhou o título do post? Provavelmente sim.

    Vou falar um pouco sobre "Tudo que é sólido pode derreter" série da TV Cultura, exibida em 2009 com 13 episódios, baseado num curta metragem de mesmo título. Atualmente ela é (re)exibida pela Sony Spin (sexta as 21:30h) e pela TV Rá Tim Bum (Sábado e Domingo as 23:30h)

Tudo que é sólido pode derreter


    Curta metragem
    Série

Mas porque estou falando de uma série num blog sobre livros???

    Porque a série serve como forma de apresentação de alguns livros importantes da literatura, além de ser uma boa forma de mostrar como ela não é chata e atrair novos leitores. =D

    A série é juvenil e tenta explorar o universo adolescente, a partir do cotidiano de Thereza, que enquanto estuda literatura de língua (quem nuca passou raiva ou dormiu na aulas de literatura, mas também se apaixonou por diversos livros e conheceu outros tantos?) portuguesa, vai descobrindo e se envolvendo com as histórias.

    Viajando por entre o O Auto da Barca do Inferno, Os Sermões, Os Lusíadas, Canção do Exílio, Senhora, Macário, Dom Casmurro, Ismália, Quadrilha, Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, Quem Casa Quer Casa, O Guardador de Rebanhos e Macunaíma, a série traça paralelos entre livro e a vida de Thereza, misturando humor e drama enquanto aborda a transição para a vida adulta.
Durante os episódios somos guiados pela própria Thereza que faz uma mistura entre seu cotidiano e o livro estudado, através do seu mundo e de seus sentimentos. Sempre acompanhada de seus amigos Marcos, Letícia e João Felipe, sua rival, Dalila, seus pais, Marta e Décio, e pela lembrança de seu falecido tio, Augusto, com quem ela tinha uma ligação muito forte e conversas inspiradoras.

PS: Tudo O Que É Sólido Pode Derreter, o filme, mostra como Hamlet pode dialogar com o público jovem da atualidade, traçando paralelos entre livro e vida e construindo uma crônica juvenil delicada e divertida, que mescla humor e drama para abordar o tema da transição para a idade adulta.





quarta-feira, 29 de maio de 2013

A Moreninha – Joaquim Manuel de Macedo

Essa é a capa da edição que eu li.
Mais um romance nacional, “A Moreninha” é um livro que tem todos os componentes que não me agradam, mas acabou sendo uma leitura bem agradável e até “fofa” – essa é a palavra ideal – aliás, se vocês pegarem esse livro da mesma editora que eu, “pulem” as paginas explicativas – “Carolina: a cor morena do Romantismo” – elas me atrapalharam nesse e em outro romance que eu li, a estória já é previsível, e essas paginas ainda contam o final! Péssima ideia FTD, passem elas para o final das suas futuras publicações!
Quatro estudantes de medicina resolvem passar o feriado na ilha da avó de um deles, e resolvem bater uma aposta: se Leopoldo, o inconstante, se apaixonassem por alguém por mais de quinze dias, ele teria que escrever um romance sobre esse amor. Durante o livro acontecem vários “cortejos” – é esse o termo? – e namoricos, as moças pregam peças nos rapazes, mais especificamente em Leopoldo, e é claro que ele se vinga, durante o romance também é explicada a postura de Leopoldo – eu achei uma explicação bem pobre – para com o amor. Ainda existe o detalhe mítico da estória: a fonte de águas encantadas e a lenda sobre ela, e como essa lenda teve influencia sobre o final desse romance.
É um livro com uma estória de amor bem previsível, ele é bem similar a vários outros romances clássicos – quer dizer: outros que eu li, do mesmo tamanho, de escritores brasileiros, que escreveram em um determinado período – ele tem alguns trechos engraçados, e o otimismo do autor é fora de série. Esse é um livro extremamente leve, e acho que isso é uma coisa que não me agradou muito, falta a seriedade e os defeitos de um Brasil que conhecemos, é quase um conto de fadas ambientado em um Rio de Janeiro perfeito.


Imagem que "define" esse romance

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Os Sofrimentos do Jovem Werther – Goethe

    E o romantismo ainda está no meu coração, por isso dessa vez vamos de literatura alemã, ainda na vertente romântica, onde o sofrimento por amor e a morte são supervalorizados e os textos, geralmente, são superlativo. Bem, o livro dessa vez é “Os sofrimentos do jovem Werther”, muito conhecido pelo trágico final e considerado responsável por uma onda de suicídios, entre os jovens, ocorridos na época de seu lançamento, fazendo com que muitos governos tentassem proibir sua circulação. É um livro com forte teor autobiográfico, com algumas partes fictícias.
    Escrito em primeira pessoa, em forma de cartas escritas pelo próprio Werther para seu amigo Wilhelm, que organiza as mesmas e edita o livro. Nestas Werther narra sua paixão por uma mulher prometida a outro, o qual tem grande amizade pelo mesmo desde que o momento em que se conhecem.
    Werther se culpa por ter se apaixonado por Charlotte, e se muda, mas acaba retornando e com a certeza de que é correspondido. Mas ela acaba casando com Alberto, que passa a ter ciúmes de Werther, este percebe que sua presença causa constrangimento ao casala e decide se afastar; no último encontro Werther e Charlotte se abraçam, choram e se beijam, ela então diz que não que mais vê-lo, por amá-lo e saber que não era possível levá-lo adiante, sendo assim ele decide acatar o pedido de Charlotte.
    Uma vez que o amor entre eles é impossível, Werther decide suicidar-se e pede armas para Alberto, sob a desculpa de proteção durante uma viagem. Na manhã seguinte, a chegada das armas, Werther é encontrado morto.
    É bem trágico mesmo, mas se não fosse não seria romântico. Tenho de admitir que tanto "Noite na Taverna" quanto "Os sofrimentos do jovem Werther" foram livros que marcaram parte da minha adolescência - Sabe, aquela fase que todos os problemas são enormes e o mundo vai acabar, ou vamos morrer,  se o nosso "amor" não é correspondido? O que para nossa alegria passa e com o tempo a gente (pelo menos a maioria das pessoas) sofre e parte para outra.


domingo, 14 de abril de 2013

A Pata da Gazela – José de Alencar



Uma vez iniciado e abandonado, “A Pata da Gazela” foi uma leitura muito mais agradável e divertida – não a ponto de eu rir de verdade, mas de fazer aquela cara de quem gosta de ver as coisas indo bem para o seu time – do que da primeira vez que eu tentei o ler.
A edição que eu possuo, e li vêm com aquela “explicaçãozinha” que às vezes ajuda e outras atrapalha a leitura, nesse caso, até que ajudou. “A Pata da Gazela” é como se fosse uma versão abrasileirada – lembrando que é referente ao século XIX – do conto da Cinderela – Irmãos Grimm – e da fabula “O Leão Amoroso” – La Fontaine. Ele conta a história de Horácio que se vê apaixonado pela dona de um sapatinho perdido, durante a história ele acha e perde a moça ou o pé da moça algumas vezes – é essa, não é essa, me caso, não me caso, etc. – em paralelo corre a história de Leopoldo e Amélia e do amor que acaba nascendo, e posteriormente crescendo a partir de um mal entendido, o desenrolar da história é divertido porque o “maravilhoso” Horácio – Um “Leão da Rua do Ouvidor”, o partidão da história – não consegue o que tanto queria e acaba perdendo a moça – e logicamente os pés dela também – para uma pessoa no mínimo mais sincera. Alias, Amélia acaba sendo uma mocinha muito mais esperta do que imaginamos que seria, no começo da leitura.
Leiam, é um bom começo, agora que eu li “A Pata da Gazela” eu não me sinto mais tão intimidada com o nome “José de Alencar”.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Noite na taverna - Álvares de Azevedo

    Ah, o romantismo. Quem não gosta de um romance?? Tenho de admitir que gosto bastante do ultrarromantismo brasileiro, afinal mistura três coisas que me atraem: amor, erotismo e morte (Livros, filmes, séries ou qualquer coisa que envolva estes três temas são fortes candidatos a me conquistarem.).
    O escolhido de hoje é “Noite na taverna” de Álvares de Azevedo, o livros é mais uma coletânea de histórias/contos. No começo do livro se passa numa taverna, onde um grupo de viajantes estão bebem e contam histórias pelas quais passaram.
São sete capítulos, o primeiro é introdutório e os seguintes são dedicados a cada um dos viajantes reunidos e o último finaliza o livro, dando um tom de realidade as histórias. As histórias giram em torno de amor, da morte e bebida (como forma de amenizar o sofrimento causado pelo amor).

É preferível morrer por amor que viver sem ele.


    A noite é simbólica e reflete a melancolia interior dos personagens, sendo a taverna o ambiente perfeito para que temores e desejos de cada personagem dominem a atmosfera. Surgindo, assim, as imagens de violência e delírios relacionados à morte: "No aperto daquele abraço havia contudo alguma coisa de horrível. O leito de lájea onde eu passara uma hora de embriaguez me resfriava. Pude a custo soltar-me daquele aperto do peito dela... Nesse instante ela acordou... Nunca ouviste falar de catalepsia? É um pesadelo horrível aquele que gira ao acordado que emparedam num sepulcro; sonho gelado em que sentem-se os membros tolhidos, e as faces banhadas de lágrimas alheias, sem poder revelar a vida!" (Solfieri).
    O texto está bem curto, mas é interessante ler por ser uma obra do romantismo nacional, para quem está acostumado a livros complexos talvez não goste muito, pois apesar da linguagem e do lirismo ele é de simples leitura. Mas serve como introdução ao mundo romantismo, aquele que sofrer por amor é algo extremamente valorizado.



obs: Clicando na citação, você vai para a página de download do livro.