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sábado, 31 de outubro de 2015

A Arvore do Halloween – Ray Bradbury

De um dos mestres da ficção Ray Bradbury, A Arvore do Halloween é um relato interessante, inteligente e delicado de uma noite e tanto de um grupo de amigos.

Pipkin é um adorado colega e amigo de um grupo de nove amigos: garotos de uma pequena cidade norte-americana; que acaba sendo sequestrado magicamente na data mais esperada e assustadora do ano, o Halloween, é claro que seus amigos não poderiam abandona-lo, e para resgatar o bom Pipkin, eles contam com a ajuda do misterioso senhor Montarlha. Apesar de ser uma estória curta e de “roteiro” simples, A Arvore do Halloween na verdade é um livro com uma boa dose de pesquisa, profundidade e história, Bradbury não só nos mostra a saga em procurar Pipkin por uma série de datas e lugares ligados ao Halloween, mas também nos mostra como a cultura de hoje veio se adaptando a partir de comemorações muito antigas, e nos faz refletir sobre a “extinção” de costumes e crenças, será mesmo que as comemorações de hoje são tão isentas das culturas que elas substituíram? Na verdade eu acho que o ponto alto do livro são exatamente as histórias que estão por trás do Halloween moderno e como com o passar to tempo uma cultura foi “substituindo” a outras, outra reflexão importante que o livro faz sobre o Haloween de hoje, é como ele se transformou – pelo menos nos Estados Unidos e outros países do hemisfério norte, principalmente – uma data de comemoração, deixando de ser tão assustadora ou triste como no Samhain.

Esse livro é bem curtinho, mas muito bom, eu adorei a estória, e achei o modo como foi contada muito simpático, inclusive ele pode ser lido tanto por jovens e crianças até adultos, acho difícil alguém não se sentir preso e interessado por uma das datas mais especiais e famosas do mundo.

sábado, 3 de outubro de 2015

As Loucuras do Rei – Jean Plaidy (A Saga dos Plantagenetas – Vol. VIII)

Cobrindo um período menos prospero da história da Inglaterra, Jean Plaidy nos leva a acompanhar Eduardo II e sua mulher, Isabela da França, que apesar de terem tudo para fazer com que seu reinado fosse mais prospero do que o anterior –  o reinado de Eduardo II, o “Pernas Longas” ou o “ Martelo dos Escoceses” – na verdade acabam por deixar o país em uma situação pior e menos estável.

Eduardo II já dava mostras de não ser exatamente o filho que Eduardo I pediu a Deus já no livro anterior, e seu primeiro ato, logo após seu pai ter morrido, foi trazer o seu querido “amigo” Perrot de volta a corte, após isso as coisas só se tornam cada vez mais obvias, e a total inépcia de Eduardo II fica clara em poucas paginas. Além dos problemas de impopularidade de Eduardo II ele ainda comete o erro de enfurecer sua jovem e belíssima esposa, Isabela – filha de Filipe o Belo – que além de ser extremamente popular junto ao povo esconde por um bom tempo o ódio que sente por um marido que despreza sua companhia para ficar com seus “favoritos”. Durante o livro são dadas infinitas amostras de como não agir com súditos, e como se perder batalhas – consideradas não tão difíceis – o fato é que Eduardo II passa o livro inteiro mias preocupado em agradar seus amantes do que realmente governar, o que torna seu período no trono da Inglaterra um período não tão glorioso.

Apesar de escrever um livro sobre Eduardo II, Plaidy parece focar muito mais na rainha da Inglaterra, Isabela, que faz uso de todos os “genes” puxados de seu pai – Filipe, que era famoso por ser maquinador e vingativo, e estava no centro de vários escândalos envolvendo a igreja – guardando para si durante muito tempo o ódio e nojo que sentia por um marido que a desprezou, e posteriormente armando contra ele, lembrando um pouco outra rainha, um das minhas favoritas, Eleanor da Aquitânia.

Enfim, o livro continua com a qualidade alcançada pelos volumes anteriores, talvez o que tenha me chateado um pouco sejam todas as qualidades – ou as não qualidades – de Eduardo II, tenho “gastura” a administrações falhas, tirando isso o livro tem todos os ingredientes e aspectos que marcam o incrível texto de Plaidy.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Como ser mulher, Um divertido manifesto feminista – Caitlin Moran

Confesso que tive um certo preconceito em começar a ler este livro, afinal a primeira coisa que pensei foi "Ah! Mais um livro de auto ajuda! E pior, este ainda tenta me ensinar a ser mulher! Afff...", ledo engano! O livro pode servir como  uma introdução ao feminismo e como fonte de reflexão oque é ser mulher. Afinal... vocês já se perguntaram isso?
O livro é autobiográfico e começa com a autora, no seu aniversário de 13 anos, sendo perseguida e insultada por uns garotos. vale ressaltar que ela foge do "padrão" físico e familiar esperado, ela é a mais velha de sete irmãos, com mãe hippie e pai que ignora o crescimento das filhas e irmãos que se odeiam e se unem na mesmas medida quando necessário.
Logo após este aniversário vem sua primeira menstruação, que serve como marco para o fim de sua infância, e muito descontentamento, pois ela não deseja crescer. marco este compartilhado com sua irmã Caz, que também não se mostrou feliz com a situação (aliás ela raramente se mostra feliz com algo).
Enquanto conta um pouco de sua história Caitlin discute alguns problemas femininos, tais como depilação, ser magra, (tentar) não envelhecer, ser mãe, aborto, etc; mostrando como somos julgadas com base nessas coisas e não só no nosso caráter e/ou competências e habilidades. Ela exemplifica oque aconteceu com ela no primeiro jornal que trabalhou ao se ganhar fama mulher "fácil" e situações que passou por ser gorda.
A forma como ela se descobriu como mulher ao contar, de forma muito divertida, um pouco de sua história e defende o feminismo de forma não acadêmica. E propõe o questionamento sobre  ser ou não feminista, mesmo que você afirme não ser. Oque mais gostei da discussão de feminismo no livro é o fato de ela não defender o radicalismo e zombar de antifeministas, uma vez que as mesmas que escrevem contra o movimento se beneficiam das conquistas destes. Nos lembrando que também somos responsáveis pela perpetuação do machismo.
Sei que quando falamos de feminismo muitas pessoas torcem o nariz e imaginam um monte de mulheres odiando homens, mas não! Isso não é feminismo! Feminismo é a ideia de que mulheres e homens devem ter os mesmos direitos, só isso. A ideia de que não serei menos mulher se atrasar a depilação, ou mesmo se não a fizer; a ideia de que posso ou não ser mãe ou envelhecer, sem que o mundo me aponte e diga que isso é um absurdo! E é isso que ela discute no livro, que serve de muito bem de introdução/apresentação a essa ideia.  

sábado, 4 de julho de 2015

A Menina Que Brincava Com Fogo – Stieg Larsson (Millennium – 2)


Mais uma vez Mikael e Lisbeth se veem trabalhando juntos, dessa vez, porém, o escândalo se da com Lisbeth, que de uma hora para outra se vê como procurada por três homicídios. Esse volume assim como o anterior não decepciona, na verdade ele é até mais interessante: nele conhecemos melhor a estória e a mente de Lisbeth, e como a negligência e a corrupção alteraram o que ela poderia vir a ser.

Tudo começa com um grande novo furo que a Millennium conseguiu juntamente com seu novo colaborador, Dag Svensson, que além de render um numero especial da publicação ainda terá um livro publicado, com o mesmo e polemico tema: o “comercio” sexual. Até ai á estória não tem grande ligação a Lisbeth, até os corpos começarem a ser achados. Em todo o livro ficamos presos à curiosidade de entender qual é a real ligação de Lisbeth com os assassinatos, e mais ainda descobrir seu passado, é claro que os personagens exóticos e as situações brutais a que eles passam também foram fatores positivos para a trama, é difícil encontrarmos livros que tem como temas a violência e o abuso escritos de forma tão “seca” – seca no sentido que não existem meias palavras, em muitos momentos do livro eu realmente fui levada a sentir as agonias vividas pelos personagens.

Da parte de Mikael podemos afirmar que ele não acredita que Lisbeth esteja ligada a assassinatos de pessoas que queriam desmantelar uma das principais organizações de exploração ao comércio sexual afinal “Lisbeth Salander era a mulher que odiava os homens que não gostavam de mulheres”.

É difícil falar desse livro sem me empolgar e já revelar milhares de detalhes, mas vou me limitar a dizer que ele é sem duvida uma das melhores continuações que eu já li, eu essencialmente sou fã de sagas fantásticas, mas olha, Millennium “bate na cara” de muita trilogia por ai.

sábado, 6 de junho de 2015

Os Homens Que Não Amavam As Mulheres – Stieg Larsson (Millennium – 1)


Primeiro livro de uma das trilogias – de 4 livros, até agora, sendo o 4° escrito por David Lagercrantz – mais elogiadas dos últimos tempos – não tão últimos, mas ainda me lembro de todos os elogios dispensados a ela a alguns anos atrás, e ela continua sendo uma série “respeitável” – Stieg Larsson traz uma trama inteligente e sagaz sobre o submundo das respeitáveis publicações e das famílias poderosas, como diria Tolstói “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira” .

Mikael é um renomado jornalista, de uma das publicações independentes da Suécia, a Millennium, que acabou saindo meio “queimado” de um escândalo político – olha a literatura ensinando como é importante ter certeza de suas fontes – que acaba sendo contratado para investigar o sumiço de Harriet Vanger – sobrinha de um dos homens mais ricos da Suécia – em troca de informações sobre o homem que arruinou sua carreira. Depois de revirar o passado de todos os Vanger e ainda de repassar todos os fatos ocorridos no dia do desaparecimento varias vezes, Mikael ainda se encontra em um beco até saída, até que Lisbeth, uma garota estranha que tem um talento e tanto para descobrir coisas entra na estória, depois disso, as coisas com certeza ganham velocidade.

Eu preciso dizer que minha expectativa em torno desse livro e dessa série era grande, e devo admitir que ela foi superada, Lisbeth não é um componente simples de mais um suspense, ela é muito mais do que isso, e a estória contada é muito mais do que um a “historinha pra boi dormir”, durante as paginas Larsson realmente consegue nos transportar para uma Suécia que apesar de toda sua áurea glamorosa – leia-se europeia, inatingível e berço de grandes multinacionais, que colocam entre outras coisas, a honestidade como base para suas respectivas existências –, civilizada e bela também esconde um lado bem podre do que tem de pior por ai. Além de Lisbeth que com certeza já se tornou uma das minhas personagens femininas favoritas – e olha, ela ganha posições no meu coração a cada livro – Mikael faz um par perfeito – e totalmente diferente – com Lisbeth, ele praticamente é um contraponto de Lisbeth, porém ambos se completam perfeitamente para desempenhar seus serviços da melhor forma possível.

A tentação de dar spoilers é imensa, porém não vou falar mais detalhes do livro – lembrando que já existem duas adaptações para as telinhas do primeiro livro da série – só completando, é um livro que vale a pena, que é totalmente envolvente e que mais uma vez é melhor do que o filme – pelo menos, melhor do que a versão de 2011.