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domingo, 13 de dezembro de 2015

Alice no País das Armadilhas – Mainak Dhar

Apesar de possuir elementos e referencias claras ao clássico de Lewis Carol, Alice no País das Maravilhas, o livro de Mainak Dhar vai bem mais longe que a fabula infantil.

Alice Gladwell é uma jovem de 15 anos, que convive diariamente com um mundo um tanto hostil: a Nova Déli de Alice é dominada por zumbis, um pequeno dano colateral decorrente de experimentos para fins bélicos; com o tempo e o treinamento ela se torna uma das principais atiradoras do acampamento em que vive com a família. Tudo vai indo da maneira mais normal possível, até que Alice acaba seguindo um “coelho branco” e cai direto na toca dos zumbis, depois de ver e conhecer a realidade por trás dos “mordedores” tudo muda, e Alice se vê cada vez mais envolvida tanto com os zumbis quanto com um grande esquema que promove a nova ordem mundial através do medo do desconhecido e do caos.

Mesmo contendo “componentes” já abordados em muitas estórias, principalmente nos últimos tempos – mundo pós-apocalíptico, um sistema que a mim soa como distópico, zumbis, e outros mais – esse livro traz algumas diferenças notáveis, além do cenário que é completamente diferente – sim, estávamos cansados de invasões nos EUA, tudo só acontece lá –, a protagonista, os diálogos – é importante dizer que achei esse livro bem satisfatório, se avaliado a partir da idéia do teste de Bechdel –, e a noção de que existe alguma organização mundial após o desastre e como essa organização se mantém.

A leitura de Alice no País das Armadilhas é rápida e divertida, os diversos embates e reviravoltas na estória, o tornam um livro dinâmico, os personagens são bem definidos – você vai odiar uns e amar outros, já até sei quais. Pelo que entendi esse é o primeiro livro de uma trilogia, por enquanto não tenho informações sobre os direitos das traduções das continuações, porém existe uma boa oportunidade de serem publicadas.

domingo, 20 de setembro de 2015

Ender's Game, O Jogo do Exterminador – Orson Scott Card (Ender's Saga - Livro 01)

Uma ficção cientifica que trata sobre a eminente invasão da terra por “abelhudos” – uma forma de vida inteligente que evoluiu de insetos – e que traz como protagonista Andrew “Ender” Wiggin, uma criança superdotada, surpreende, não só pela estória muito bem montada e contada, como também pela densidade e intensidade que passa.

Em um mundo a beira do colapso – entre superpopulação, guerras e uma invasão extraterrestre – Ender é escolhido dentre varias crianças superdotadas como a ultima esperança da terra – pelo menos em relação à invasão extraterrestre –, e se bem treinado recebera o comando de uma esquadra: a que foi enviada ao planeta natal dos abelhudos. A partir daí as coisas só se tornam mais difíceis quando é imposto a ele um treinamento esgotante, que às vezes mais parece leva-lo a beira do colapso do que prepara-lo para uma guerra. O fato é que Ender é levado durante o livro inteiro ao isolamento e ao esgotamento, deliberadamente seus “professores” proporcionam situações e períodos estressantes: eles querem treinar um líder, e ao que tudo indica o líder que eles precisam não pode ter laços, amizades e até mesmo “coração”.

Durante o livro todo somos levados a um constante estado de tensão, principalmente ao nos colocarmos no lugar de Ender, e em diversos momentos eu realmente esqueci que a estória se passa em uma faixa estreita de idade, Ender tinha, durante toda estória, entre 6 e 10 anos – mais ou menos –, ou seja, ele foi colocado em uma situação absurdamente maçante e estressante, entre o auge a infância e o inicio de seu declínio, e em quase momento nenhum ele realmente age como um criança. Além de Ender ser um personagem extremamente maduro, inteligente e carismático, varias questões são meio que levantadas durante o livro, dentre elas, as que mais gostei foram sobre como mesmo se encontrarmos vida inteligente fora da terra talvez não soubéssemos como reconhece-la e como o contrário também poderia ocorrer – sim, eu acho meio presunçoso pensar que somos os únicos privilegiados com “inteligência” em um universo tão cheio de “espaço” –, como a falta de comunicação efetiva acaba gerando uma série de incidentes desnecessários, e como a definição de consciência e inteligência podem variar.

Mais algumas coisas me chamaram muita atenção, como o grau de manipulação que os irmãos de Ender conseguem atingir em um mundo abalado por ameaças externas e desesperado por uma solução; como o habito de presumirmos algo a partir de uma única ação pode prejudicar nosso julgamento; e como apesar de Ender ser moldado pelo treinamento ele não perde totalmente a vontade própria e sua própria maneira de pensar. Enfim, a estória não é nada decepcionante, mas a parte que eu mais gostei foi o final, muitos aspectos dele foram alterados ou suprimidos na adaptação cinematográfica (Gavin Hood, 2013), o que foi uma perda imensa para o filme. O livro todo é incrível, mas fazia um tempo que eu não lia um final tão emocionante e bem “bolado”, um final que te faz querer mais, ler mais e conhecer melhor Andrew “Ender” Wiggin.